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Sarau de Arte Moderna
Dia 16 de Fevereiro de 2022
O tema central deste fevereiro é a celebração do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. Quem são os antigos e os novos modernistas e os que sofreram a cultura do cancelamento? Algumas correntes de pensamento defendem que ela começou em 1922 e nunca mais terminou. Seus ideais de libertação formal, a busca pela identidade regional, assim como o novo cedendo lugar para o mais novo, são presentes até os dias atuais e seguem num moto continuum. É fato. Foi um marco do movimento modernista no país. A semana entre os dias 11 e 18 de fevereiro, foi composta de exposições de pinturas, músicas e literatura e propostas de rupturas estéticas.
Para alguns escritores, críticos e pesquisadores a semana funcionou com um símbolo que resumia os valores da onda modernista que chegava da Europa, pois já existiam artistas modernistas antes de 22, apenas não tinham articulado uma visão estética em um projeto ou movimento. O que bem fizeram Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Graça Aranha, Victor Brecheret e outros não menos importantes para o movimento.  
Um dos personagens centrais da semana foi Mário de Andrade que afirmava: São Paulo teria importado a real modernidade europeia. Era aqui que viviam as elites paulistanas que dominavam a economia do café e do industrialismo e que, portanto, viajavam para Europa e lá tomavam contato com os novos formatos e linguagens da arte que propunha romper com a academia. O escritor, crítico e pesquisador do folclore brasileiro é elemento central na articulação do movimento, defendendo uma renovação na literatura,
O romance Canaã de Graça Aranha, focado nos aspectos nacionais e regionais, torna-se fonte de inspiração para Semana de 22, os ensaios dele refletem sobre o brasileiro simples, caipira, com concepções e visões de mundo singulares. Di Cavalcanti, ainda jovem, aos 20 anos também se destaca, tendo inclusive ilustrado um livro de Manuel Bandeira e realizado sua primeira mostra individual de caricaturas. Em fins de 1921, Di Cavalcanti expõe pinturas e desenhos e recebe visitas de Graça Aranha, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida ente outros, sedentos por renovação. Essa exposição de Di é o embrião do festival de arte que viria a ser a Semana de 22.  
“Ainda que a autoria da ideia sobre a realização do evento da Semana de Arte Moderna não seja clara – Mario, inclusive, rejeitava o crédito – parece que Di “pescou” a ideia da semana de dona Marinette Prado, uma francesa radicada no Brasil que, em conversa com o artista, lembrou da realização da Semaine de Fêtes, um evento de verão na cidade litorânea de Deauville, na temporada de festivais, com exposições, concertos, etc. Paulo Prado, marido de Dona Marinette, vinha de uma das mais ricas e influentes famílias de São Paulo, mas não atuava apenas como mecenas, era escritor e poeta, um grande inconformado com o provincianismo cultural local, e o principal apoiador da realização do evento.” Beta Germano – publicação26 de agosto de 2021
“Antecedendo ao carnaval, e no contexto da celebração dos cem anos da independência do Brasil, o grupo de jovens artistas e intelectuais alugou o Teatro Municipal de São Paulo durante uma semana em fevereiro de 1922. Foi Paulo Prado, inclusive, que convenceu outros membros da elite cafeicultora e banqueira de São Paulo a bancar esse aluguel. Mais do que isso, Paulo também garantiu a presença de Graça Aranha no evento, personagem que serviu para ajudar a legitimar as reivindicações revolucionárias daquele bando de jovens desconhecidos.” De acordo com Aracy Amaral, em livro sobre a Semana
Para além da mostra que contava com cerca de 100 obras, a Semana também contava com uma programação de eventos, com leituras, declamações, concertos e conferências.  A exposição que era aberta diariamente no saguão do teatro, e em três noites separadas, 13, 15 e 17 de fevereiro, foram realizadas três sessões musicais e literárias.
Mário de Andrade profere sua palestra na escadaria do saguão do Teatro, considerada uma fala fundamental para as ideais modernista na literatura do país, algo que Mário já vinha desenvolvendo desde a publicação do famoso “Prefácio interessantíssimo” do livro “Paulicéia Desvairada” escrito em 1921, mas apenas publicado em 22.
Lemos em relatos históricos que a Semana de 22 ficou longe de ser uma experiência futurista, absoluta e radical. Na verdade, ela acaba se tornando a primeira abertura de certa maneira escandalosa e deixa parte dos artistas atrapalhados, confusos, na opinião de Di Cavalcanti “A confusão era geral”. Encontramos pontos e contrapontos da Semana de 1922 neste centenário, com uma onda de publicações e análises contemporâneas críticas e confusões, brigas e birras entre modernistas tais como Oswald e Graciliano e vários outros.
São textos que compõem diversas edições de lançamentos editoriais neste centenário da semana p.ex.: “O Antimodernista”, que reúne uma série de declarações, manifestações de Graciliano Ramos como esta: quando questionado se teve influência modernista, o autor retruca: “Que ideia! Enquanto rapazes de 22 promoviam seu movimentozinho, achava-me em Palmeira dos índios, em pleno sertão alagoano, vendendo chita do balcão.” Para Graciliano o movimento modernista não atacava de frente os problemas sociais do país. Na língua ferina de Oswald de Andrade, conforme descreve os pesquisadores Thiago Mio Salla e Ieda Lebensztayan em respeito ao posicionamento de Graciliano, (“Como se pode ter talento sendo burro. O caso Graciliano Ramos”, escreve Oswald em seus papéis.) Além disso, Graciliano não via com bons olhos o que chamava de ruptura artificial, pois achava que os jovens do movimentozinho estavam querendo
destruir tudo o que ficara para trás, condenaram por ignorância ou safadeza, muita coisa que merecia ser salva. Mas concorda que a Semana abriu espaço para uma nova literatura de valor que veio ocorrer na década de 1930, com Jorge Amado, José Lins do Rego, entre outros.
O Festival de arte, que se tornou a Semana de Arte Moderna buscava romper com academia e estética europeia tendo como pano de fundo a celebração do centenário da Independência do Brasil, em suma o movimento é polêmico, mas é inegavelmente trouxe renovação do estado de espirito e mudanças que já vinham sendo cultivadas desde antes do evento no saguão do Teatro Municipal, que fora alugado pelo período de uma semana pelos jovens artistas brasileiros.
O Sarau de Arte Moderna reúne a sua volta escritores, poetas, pesquisadores, arquitetos, músicos, atores. Espaço para mostrar e refletir sobre as linguagens artísticas e trocar experiências com novas redes de relacionamento, tendo a cultura como fio condutor e elemento de aproximação.  
https://www.artequeacontece.com.br/a-semana-de-22-mario-de-andrade-e-as-ideia-de-brasilidade/
Walter Portohttps://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/01/semana-de-1922-tem-festa-critica-e-birra-de-modernistas-em-avalanche-de-novos-livros.shtml?origin=uol

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